Vinhais perde urgências de Serviço de Atendimento Permanente (SAP) durante a noite.

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) decidiu encerrar o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) à noite de oito centros de saúde do distrito de Bragança, cumprindo os protocolos assinados em 2007 com as autarquias.
Alfândega da Fé, Carrazeda, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Moncorvo, Vila Flor, Vimioso e Vinhais são os SAP que, desde a meia-noite de hoje, ficaram sem o SAP aberto à noite.
A deliberação, que entrou em vigor ontem, foi confirmada pelo presidente do conselho directivo da ARS-Norte, Fernando Araújo, que a justificou como "o culminar do processo de restruturação dos serviços de saúde", após os protocolos com as autarquias em Abril de 2007, que previam a dotação do distrito de uma rede de emergência pré-hospitalar, que já está a operar. "Temos um esquema montado que é melhor do que os SAP", sustentou.
Fernando Araújo considera que os protocolos se encontram cumpridos "de forma global" e garante que a deliberação de fechar os SAP é um processo "transparente" e do conhecimento dos autarcas, pois ficou estabelecido que assim seria logo que a região fosse dotada de meios, o que tem acontecido gradualmente. "A decisão não é inesperada. Os autarcas podem não concordar, mas estão a acompanhar", adiantou.
O atendimento nocturno, naqueles centros de saúde, funciona, agora, durante a semana, das 8 às 22 horas e aos fins-de-semana e feriados, das 9 às 22 horas.
A monitorização realizada desde a criação do sistema de médico à chamada, em 2007, levou a ARS a concluir que o SAP "não traz mais-valias" à população, "dando uma falsa sensação de segurança". Em 2010, nas consultas entre a meia-noite e as oito horas, foram atendidos, em média, 0,8 utentes em cada unidade.
No entanto, para o serviço funcionar é exigida a presença de um enfermeiro e de um assistente operacional em presença e de um médico em regime de prevenção, cujos custos são assegurados em horas extras.
Fernando Araújo explicou que os utentes que se deslocam ao SAP em situações de verdadeira urgência são reencaminhados para as urgências hospitalares, "perdendo tempo essencial para a prestação dos cuidados diferenciados, o que põe, por vezes, em risco a sua vida ou gera situações clínicas de difícil recuperação".
Naqueles centros há ainda um envelhecimento elevado dos médicos "que estão prejudicados pela afectação de horas clínicas prioritárias ao SAP", acrescentou. Esses médicos têm ainda a possibilidade de solicitar a dispensa de serviço de urgência nocturna. As substituições, em caso de férias, folgas ou doença, deverão estar asseguradas de forma a evitar rupturas no atendimento, mas a região tem falta de profissionais.
A ARS-Norte concluiu que a procura dos SAP se verifica para situações que, na sua generalidade, podem ser resolvidas pelos médicos de família, no âmbito da consulta programada. Quando assim não é, explica, "pode haver repetição de meios complementares de diagnóstico e a eventual mudança da terapêutica, gerando um sentimento de confusão e resultando em prejuízos clínicos e económicos para os utentes".
Fernando Araújo admite que o SAP não responde a situações de urgência/emergência, uma vez que é apenas o prolongamento das consultas de medicina geral e familiar. A proposta de requalificação da Rede de Urgência e Emergência não identifica a necessidade de uma Urgência naqueles centros e determinou a criação de Urgência Básica em Mogadouro, Vila Nova de Foz Côa e Macedo de Cavaleiros, que têm funcionado desde 2009, "de forma regular e eficiente".

2011-02-02
Glória Lopes
Jornal de Notícias

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